Texto de Estudo

LEVANTAREI os meus olhos para os montes, de onde vem o meu socorro.

Salmos 121:1 

INTRODUÇÃO

            Os Salmos 120 a 134 são chamados de Salmos de subida. Tratava-se de cânticos entoados pelos peregrinos que iam a Jerusalém para celebrarem as festas anuais. Quando os viajantes avistavam, ao longe, a cidade de Davi, alegravam-se sobremaneira e passavam a louvar o Senhor em gratidão por terem chegado com segurança, sem terem sofrido imprevistos.  Dentre esses Salmos, o 121 é o mais conhecido. Foi escrito por Davi, enquanto se encontrava escondido no deserto de Parã, ao saber da morte do profeta Samuel.

            O texto também é significativo para nós, cristãos, nos dias atuais, principalmente agora que já podemos avistar a Jerusalém Celestial bem à frente. Nessa caminhada rumo à eternidade, muitas vezes, passamos por momentos difíceis e temos inimigos que espreitam, à beira do caminho, para atacarem os menos preparados e vigilantes. Com isso em mente, o Salmo 121 ajuda-nos a restaurar a confiança no Deus que protege o Seu povo e conduz com segurança os filhos.

 

A ESTRUTURA DO SALMO

            O texto foi escrito na forma de diálogo, no qual o escritor conversa consigo, nos dois primeiros versos. A partir do verso 3, um terceiro personagem passa a fazer parte da conversa, assegurando ao primeiro personagem a proteção do Senhor.

            A sua estrutura apresenta-se em forma de um quiasma[1]: a primeira sentença sempre é respondida em uma segunda, na forma de “x”. Sendo assim, quando salmista diz, no verso 1, “Elevo os meus olhos para os montes; de onde me vem o socorro?”; no segundo verso, surge a resposta: O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a Terra.”. De uma forma didática, apresentamos os dois versos, em forma quiásmica:

 

Elevo os meus olhos para os montes;

de onde me vem o socorro?

O meu socorro vem do Senhor,

que fez os céus e a Terra.

 

            Dessa forma, sempre o verso ímpar fará um quiasma com o par.

 

OLHANDO PARA OS MONTES

            O Salmo 121 inicia com um questionamento comum entre os israelitas, nos tempos do Antigo Testamento: “Elevo os meus olhos para os montes; de onde me vem o socorro?”. Talvez não entendamos o motivo da pergunta - Qual a razão de olhar para os montes e questionar de onde viria o socorro? Mas, nos tempos antigos, esse grupo permitia que a cultura dos vizinhos entrasse para o povo santo de Deus. Dentre as muitas práticas importadas estava a de sacrificar nos altos. Deus disse que somente em Jerusalém, no Templo, era permitido sacrificar (2 Cr 3:1). Josias, rei de Judá, tentou destruir esses altos que eram usados inadvertidamente pelos judeus (2Reis 22 e 23), mas o grau de corrupção que Judá havia alcançado chegara a tal ponto que Deus enviou Nabucodonosor para castigar o Seu povo.

Portanto, a pergunta feita pelo salmista procura chamar a atenção dos peregrinos sobre onde poderiam encontrar socorro. Isso não seria nos altos, à direita e à esquerda de Jerusalém, mas apenas no Monte Sião, onde O Todo Poderoso habitava.

            Não deixa de haver similaridade entre os judeus antigos e nós, cristãos da atualidade. Existem muitos altos (montes) simbólicos em nossos dias, e eles desviam a atenção do Senhor. Achamos que podemos encontrar segurança nos montes, como faziam muitos em Israel, nos tempos bíblicos. Mas, assim como Deus nãos estava nos altos, Ele não está em nossos dias. Deus quer se relacionar com a humanidade; e, para isso, é necessário que ela deixe de colocar o coração em coisas que não resolverão a necessidade interna do homem, como riquezas, trabalho e materialismo. Somente quando O buscamos no lugar certo é que podemos encontrá-lO. E, aí, poderemos usufruir de gozo pleno, de liberdade total. Qualquer outro tipo de refúgio será inútil e sem esperança.

 

O SOCORRO DO SENHOR CRIADOR

            Vivemos em um mundo com diversas religiões, elas nada mais são que caminhos construídos pelo homem para alcançar a salvação da alma e uma promessa de vida plena nesta terra. Budismo, Islamismo, Confucionismo, Hinduísmo e Espiritismo; todas são filosofias propostas por mestres sem Deus para ajudarem o ser humano a alcançar o divino.

Essa busca ocorre para que, principalmente na hora da morte, o homem tenha esperança. Já desde os tempos de Abraão, vemos as nações colocando confiança em deuses feitos de barro, ferro ou outro material qualquer. São tentativas de encontrar descanso e refúgio à alma e ao corpo - paz na Terra e vida eterna no reino dos deuses. Mas essas filosofias nada mais são do que crenças sem fundamento; são meios de negar o único Deus verdadeiro, que acontece desde tempos muito remotos.

Diante disso, o salmista leva os israelitas a verem que o socorro só pode vir do Senhor. Qualquer outra modalidade de salvação seria como os altos construídos pelos judeus para tentarem alcançar a benevolência dos deuses, totalmente inútil.

            O homem tende a adorar a criatura e as coisas criadas. Religiões pagãs, como o Hinduísmo, possuem grande panteão de deuses, sendo eles sempre representados por homens, ou por animais. A antiga religião greco-romana também era praticada com a reverência prestada a homens e mulheres, deuses que possuíam as mesmas paixões que nós. Os egípcios adoravam toda a espécie de animais, como o deus Ápis, representado por um touro branco.

Diante dessa loucura, o salmista mostra que o socorro só pode vir do autor de todas as coisas, Jeová, o Deus criador dos Céus e da Terra. Como consequência, devemos adorá-lO. Não podemos deixar de notar que hoje nós também criamos coisas para nos servirem de salvação e socorro - trabalho, família, bens materiais e, às vezes, a Igreja podem estar ocupando o lugar que só a Deus pertence. Em vez de olharmos para o autor e consumador de nossa fé, miramos aquilo que, apesar de bom, não pode jamais satisfazer os anseios da alma e muito menos pode nos dar a vida eterna. Isso só pode vir do Senhor e, para tanto, precisamos tirar os olhos dos montes espirituais. Precisamos colocá-los n’Aquele que criou o Universo.

 

Não deixará vacilar o teu pé

            Nada pode ser pior que alguém estar andando em um lugar perigoso e o pé vacilar. A possibilidade de acontecer um acidente grave é muito grande, principalmente se o caminho for montanhoso e estreito. A queda ocasionada de um penhasco pode ser fatal. Assim também é na vida espiritual.

Vivemos em um mundo perigoso, cheio de armadilhas postas pelo maligno para nos levar à perdição. Sabemos que Satanás é um inimigo vencido, e isso o torna mais perigoso. Ele nada tem a perder já que, desde a cruz, está condenado. Para ele, somente importa levar o maior número de pessoas ao inferno. Assim, afronta o criador que deu Seu único Filho para salvar a humanidade.

Infelizmente, muitos trilham o caminho do mal sem a menor preocupação com as consequências de uma vida sem limites. E o que mais preocupa é que inúmeros cristãos têm seguido o mesmo rumo. Para esses, as consequências serão inevitáveis. Porém, o verdadeiro seguidor do Mestre não precisa se preocupar com os perigos e as armadilhas que possam vir a surgir na caminhada até o Céu. A promessa é que Deus não deixará o pé do crente vacilar. E a promessa toma a forma de um pai carregando seu filhinho quando esse ainda está aprendendo a andar. Como a criança não possui firmeza suficiente, ele segura firmemente a mão do filho para que, mesmo que venha a tropeçar, não caia e se machuque. Da mesma forma, o Pai Celestial sabe que somos crianças espirituais e  mantém-nos firmes em Sua mão poderosa. Não deixará, de forma alguma, que nossos pés vacilem e venhamos a nos machucar por causa das artimanhas do maligno.

 

O FIEL GUARDIÃO

            Nosso Deus é grande. Sempre está atento a todas as coisas que acontecem ao nosso redor. Não podemos nos esquecer de que o Senhor é Onisciente; tudo sabe e tudo vê.

            A palavra dormitar refere-se ao ato de uma pessoa estar com sono, mas tentando se manter acordada. Quando isso acontece, é comum que hajam momentos de inconsciência. Na antiguidade, se um soldado dormisse ou fosse apanhado em estado de sonolência, era punido severamente; às vezes, com a morte. Isso se dava pelo fato de os inimigos estarem à espreita, procurando uma brecha, um ponto vulnerável, para invadirem uma cidade. Portanto, o vigia deveria estar plenamente atento para dar o sinal de alerta quando o exército adversário tentasse invadir. Um guarda dormitando era um elo fraco por onde a derrota viria.

            O salmista apresenta Deus como aquele que é totalmente confiável, plenamente cônscio de tudo; e isso deveria ser motivo de segurança e gratidão de Seu povo. Não podemos deixar de apresentar o contraste entre Deus e as outras divindades. No caso de Israel, que sempre esteve com problemas com a adoração a Baal, essa afirmação do Salmo 121 é muito relevante. No relato sobre Elias e os profetas de Baal, Elias zombava dos pagãos e dizia: “por certo, Baal está dormindo” (1Rs 18:27).

Baal era um deus que tinha as mesmas necessidades humanas, como, por exemplo, dormir. Elias sabia que seu Deus não dormitava, nem dormia. Então, quando clamou ao Senhor, veio fogo do Céu e consumiu todo o sacrifício que havia oferecido (1Rs 18:38). Eis o motivo por que o cristão não deva temer o mundo. O Deus a quem servimos é maravilhoso! Pode ser que, em certos momentos, pensemos que Ele não está por perto, que Seus ouvidos estão fechados ou indiferente às nossas necessidades; mas nada pode ser mais distante da verdade. Temos o Deus que se importa com Seus filhos e que se mantém cuidando daqueles a quem Ele ama.

 

DEUS ESTÁ BEM PERTO DOS SEUS FILHOS

            Ao afirmar que “o Senhor é tua sombra à tua mão direita”, o salmista mostra quão próximo o Senhor está daqueles que O buscam. A sombra de um homem é que o acompanha por onde quer que ele vá. Não é possível um ser humano livrar-se da sombra, a não ser que se coloque em trevas. Onde a luz resplandecer, lá estará a sombra projetada junto ao corpo. Isso nos ensina uma lição maravilhosa a respeito de Deus: Ele está disposto a nos acompanhar, em qualquer lugar por onde andarmos.

            Conta-se a história de um homem que caminhava junto à praia com o Senhor. Depois de andar muito, olhou para trás e viu apenas um par de pegadas na areia. Então se queixou, dizendo que, ao olhar para o passado, sempre que ele se encontrava em momentos difíceis, estava só. Deus colocou as mãos sobre seus ombros e disse: “Filho, eu nunca o deixei sozinho; muito menos nas horas difíceis. Quando tu olhas para trás e vês apenas um par de pegadas na areia, durante as horas difíceis, é porque, nesse momento de tribulação, eu o carregava nos braços”. Não há dúvida de que essa parábola moderna demonstra o que o salmista quis dizer, ao afirmar que “o Senhor é a tua sombra”.

 

O CUIDADO CONSTANTE DE DEUS

 

“De dia não te molestará o sol, nem de noite a lua”

            Entre os antigos povos, a adoração do sol e da lua era muito comum. A veneração ao deus pagão Baal estava diretamente relacionada ao sol. Ele era o deus do sol, da chuva, dos trovões, da fertilidade e da agricultura. Também a deusa Aséra, ou Astaroth, era muito reverenciada entre os semitas. A adoração à Aséra está associada à lua. Em Jeremias 7:18, Aséra é chamada de “Rainha do Céu” (Jr 7:18). Portanto, esses dois deuses do panteão canaanita tinham o poder de dominar o sol e a lua, prejudicando/abençoando os povos.

Não podemos esquecer que a nação Israelita era basicamente dependente da agricultura. Sendo assim, necessitavam do bom andamento das estações e da chuva. Havia muito medo de a Terra ser ferida por uma seca, ou de a lua lançar maldições sobre as colheitas; isso era visto com horror por aqueles povos primitivos! Seguindo essa cultura, o salmista leva seus irmãos a olharem para o Deus de Abraão, Isaque e Jacó em vez de se apegarem aos deuses pagãos. Não teria razão de temerem essas entidades, pois Deus era o criador do sol, da lua e das estrelas. De dia, o sol não molestaria os israelitas e muito menos a lua causaria dano de noite. A presença do Senhor junto de Israel era a garantia de que o povo teria paz e segurança, desde que permanecesse fiel ao Seu caminho.

            Da mesma forma, vivemos em um mundo cheio de sóis e luas simbólicas que procuram nos amedrontar. A violência, a falta de emprego, as doenças, a perseguição; tudo isso é apenas uma forma de Satanás (que é o Baal e a Aséra de nossos dias) tentar nos afastar das promessas de nosso Senhor Jesus. O mundo busca certas coisas como os antigos canaanitas e muitos judeus que apostataram naquele tempo. Mas nós temos de ser como os 7.000 que não dobraram os joelhos a Baal e se mantiveram fiéis, mesmo enfrentando a perseguição de Jezabel. (1 Rs 19:18)

 

O SENHOR VAI TE GUARDAR DE TODO O MAL

            Deus guardará os Seus filhos de todo o mal. Eis uma promessa que Ele fez com que todos os cristãos, que devem levantar a cabeça e olhar para o céu, mantendo a esperança.

            Embora alguns possam questionar que os cristãos enfrentam privações, sofrimento e morte prematura, e colocam isso como uma prova de que Deus não existe (ateus) ou não se importa com os seguidores (deístas), a promessa divina é superior a tais pensamentos. Essas pessoas não entendem que, nesse Salmo de estudo, há uma explicação mais profunda. O mal referido é, claramente, a morte eterna. Eis o pior dano que pode afligir qualquer ser humano!

O salário do pecado é a morte (Rm 6:23) e sobre isso não há nada que possamos mudar. Jesus disse que não devemos temer o homem que pode matar o corpo e não pode tocar na alma. Mas Ele afirma, de forma bem enfática, que devemos temer a Deus, pois o Senhor pode matar tanto o corpo como pode jogar a alma e o corpo no inferno (Mt 10:28). A promessa do salmista é que Jeová guardará a vida de Seus filhos. E também a entrada e a saída dos crentes; em outras palavras, está sempre atento às necessidades, ao cuidado e ao bem-estar espiritual dos filhos, o que é o mais importante.

Quando as dificuldades vêm até o homem, elas não surgem por um mero capricho de Deus. Na verdade, essas disciplinas são uma forma de Ele nos polir, santificar, tornar nosso caráter mais parecido com o Seu. Esses males que nos sobrevêm nada são comparados ao afastamento eterno que sobrevirá aos que não se submeteram à soberania do Senhor, procurando seguir os próprios caminhos. Para esses, a promessa de que serão guardados de todo o mal não será alcançada. Eles serão lançados às trevas exteriores, nas quais haverá choro e ranger de Dentes.

CONCLUSÃO

            O Salmo 121 mostra que não precisamos temer se mantivermos os olhos em Deus. Aqueles que confiam n’Ele estão protegidos dos perigos espirituais e assegurados da vida eterna, no mundo porvir.

            Não precisamos, e não podemos, confiar em coisas passageiras que não podem nos proteger dos problemas de um mundo mau. Os ídolos atuais são meras tentativas de manter o Senhor externo à nossa vida. Mas eles são tão inúteis como o eram Baal e Aséra, nos tempos em que Israel lutava contra a idolatria. Assim como aqueles, não há solução nesses falsos deuses. Nós não encontraremos, no materialismo e no naturalismo, um caminho seguro para a felicidade ou respostas para uma vida cheia de paz.

            Para alcançarmos isso, devemos, como proclamar como o salmista: “o meu socorro vem do Senhor que fez os céus e a Terra”.

Fonte https://pib7joinville.com.br/estudos/entendendo-e-vivendo/4036-o-fiel-guarda-dos-homens.html

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